Robô humanoide corre meia maratona quase 7 minutos mais rápido que o recorde humano

Em Pequim, o Lightning fechou os 21 km em 50 minutos e 26 segundos, quase sete minutos abaixo do recorde mundial humano. Um ano antes, o melhor robô levava 2h40 na mesma prova.
Robô humanoide D1, da Honor, que bateu o recorde humano na meia maratona

Um robô humanoide acabou de correr os 21 km de uma meia maratona mais rápido do que qualquer ser humano que já pisou na Terra. E não foi no apertado: quase sete minutos abaixo do recorde mundial.

Aconteceu em abril de 2026, em Pequim, na maior corrida de robô humanoide do mundo. Aliás, o nome da máquina já entrega a pretensão: Lightning, relâmpago em inglês.

O dia em que o recorde humano caiu para uma máquina

O robô humanoide da Honor, a mesma empresa chinesa famosa pelos smartphones, fechou o percurso em 50 minutos e 26 segundos, correndo sozinho, sem controle remoto.

Pois o recorde mundial humano pertence ao ugandense Jacob Kiplimo: 57 minutos e 30 segundos, marcados em Lisboa pouco antes. Na prática, se os dois corressem juntos, o melhor atleta da história cruzaria a linha de chegada uns dois quilômetros e meio atrás da máquina.

Para sustentar esse tempo, o robô humanoide manteve uma média acima de 25 km/h por 50 minutos seguidos. Por exemplo: pensa na velocidade máxima da esteira da academia: a maioria das pessoas não aguenta nem um minuto nela. Ainda assim, a máquina segurou o ritmo do início ao fim.

Mas aqui vem a parte que impressiona de verdade. Na primeira edição da prova, um ano antes, o robô campeão levou 2 horas, 40 minutos e 42 segundos. Ou seja, de 2h40 para 50 minutos em doze meses. Nenhum atleta humano melhora assim nem sonhando.

Robô humanoide D1, da Honor, que bateu o recorde humano na meia maratona
Imagem: o robô humanoide D1 (“Lightning”), da Honor. Foto: Divulgação/Honor.

Como um robô humanoide aguenta 21 km

Correr longas distâncias castiga qualquer corpo, de carne ou de metal. Então, para aguentar, o Lightning ganhou pernas de quase um metro, que abrem passadas largas, e sensores de equilíbrio que o impedem de beijar o asfalto em movimento.

O detalhe mais curioso veio da própria fábrica de celulares: um sistema de resfriamento líquido, herdado dos smartphones potentes, circula pela máquina para os motores não fritarem no esforço. É como se o robô suasse por dentro.

A inteligência artificial fez o resto: ajustou o ritmo, leu o terreno e tomou as decisões de corrida em tempo real, sem nenhum humano no comando. A Honor ainda levou o segundo e o terceiro lugar, com outros dois robôs na casa dos 51 e 53 minutos.

Nem todo robô humanoide terminou de pé

O evento reuniu mais de cem robôs, dividindo a prova com corredores humanos em raias separadas. Pelo menos quatro máquinas terminaram abaixo de uma hora, algo impensável na edição anterior.

Mas houve tombo, saída de pista e assistência técnica no meio do caminho, bem menos que no ano anterior, e ainda assim o suficiente para lembrar que essas máquinas brilham em condições controladas: asfalto liso, tempo seco, rota conhecida.

O mundo real, com chuva, buraco e imprevisto, segue sendo outro campeonato. Pelo placar, o futuro do robô humanoide chegou; pelos tombos, ainda está chegando.

O que isso muda, e o que ainda não muda

A corrida de robô humanoide faz parte da estratégia da China de mostrar liderança em robótica avançada. E o recado foi dado: em tarefa física específica, sob condições ideais, um robô humanoide já supera o melhor de nós.

Só que correr em linha num asfalto perfeito é o problema fácil. Segurar um copo sem quebrar, abrir uma porta emperrada, decidir o que fazer quando tudo sai do roteiro: aí o ser humano ainda dá de dez. A inteligência artificial também corre por dentro em outras áreas, como mostram os remédios criados por inteligência artificial que já chegam a testes em humanos.

Carro sempre foi mais rápido que gente, e ninguém perdeu o sono por isso. Mas uma máquina de duas pernas cruzando a linha de chegada na nossa frente, no nosso próprio esporte, é outra história. Essa imagem ainda vai tirar o sono de muito maratonista.

Fonte: NPR | CNN

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