O fim do estrondo sônico? Avião da NASA pode revolucionar a aviação para sempre

Em junho de 2026, o experimental X-59 passou da velocidade do som deixando só um baque abafado no lugar do estrondo. E isso pode derrubar uma proibição de mais de 50 anos.
Avião experimental X-59 da NASA em voo

Quando um avião ultrapassa a velocidade do som, ele gera um estrondo tão forte que faz tremer as janelas e dispara os alarmes dos carros lá embaixo.

Mas a NASA acaba de testar um avião criado justamente para voar mais rápido que o som sem causar esse trovão. A intenção é trocar a explosão por um som abafado, quase imperceptível.

Em junho de 2026, o modelo experimental X-59 rompeu a barreira do som pela primeira vez. O detalhe mais curioso é que o objetivo ali não era bater recordes de velocidade, mas sim preparar o terreno para voos muito mais silenciosos.

Se o projeto der certo, ele pode acabar com uma proibição que já dura mais de 50 anos e trazer de volta o sonho das viagens super-rápidas.

Por que voar mais rápido que o som faz tanto barulho?

O som viaja pelo ar a mais de mil quilômetros por hora. Quando um avião atinge essa velocidade, ele empurra o ar mais rápido do que o próprio ar consegue sair da frente.

Com isso, as ondas de pressão se acumulam e formam um único barulho: o estrondo sônico. Quem está no chão escuta um estouro enorme, parecido com uma explosão, que é forte o suficiente para assustar as pessoas e quebrar vidraças.

Foi por causa desse barulho que os Estados Unidos proibiram, há mais de 50 anos, voos acima da velocidade do som sobre terra firme. Nem o famoso Concorde escapava da regra, pois só podia acelerar para valer sobre o oceano.

Ou seja, voar mais rápido que o som já é possível há décadas, mas a tecnologia não avançou por causa do barulho ensurdecedor. É exatamente esse problema que o X-59 quer resolver.

Um nariz comprido pra domar o estrondo

O segredo do X-59 está no seu formato. Ele é fino, comprido e tem um bico longo que parece não ter fim. Cada detalhe foi desenhado para espalhar as ondas de pressão, evitando que elas se juntem naquele grande estrondo.

Avião X-59 da NASA no solo, com o nariz alongado
Imagem: Divulgação/NASA

Assim, no lugar de um barulho de explosão, o som que chega ao chão é suave, muito parecido com a batida de uma porta de carro fechando lá longe. A NASA batizou esse efeito de baque silencioso.

No dia 5 de junho de 2026, após meses de testes, o X-59 ultrapassou a velocidade do som pela primeira vez. O voo durou 81 minutos, partindo da base de Edwards, na Califórnia. O avião atingiu a marca de Mach 1,1, ou seja, voou além da barreira do som a cerca de 1.147 quilômetros por hora.

Avião experimental X-59 da NASA em voo, com um caça F-15 ao fundo
Imagem: Divulgação/NASA

Um caça militar voou ao lado dele para acompanhar o teste. A grande ironia é que o forte barulho desse caça acabou escondendo o som do X-59. A prova de fogo para medir o verdadeiro silêncio do novo avião ainda vai acontecer nos próximos voos por cima das cidades.

O que ainda vem por aí

O voo de 5 de junho foi apenas um aquecimento. O X-59 voou pela primeira vez em outubro de 2025 e já acumula 16 decolagens.

Nos próximos testes, a expectativa é que ele atinja a marca de Mach 1,4, voando a cerca de 1.488 quilômetros por hora. Mais adiante, o plano é sobrevoar cidades para medir exatamente o que as pessoas escutam lá embaixo.

Por que isso pode mudar as suas viagens

Esses dados darão força para a NASA convencer as autoridades de aviação a mudar a regra antiga. A proposta é parar de proibir os aviões pela velocidade e passar a usar o nível de barulho como limite. Se o som for baixo o suficiente, o caminho estará livre.

E é aí que está a grande recompensa. Com o fim dessa proibição, as empresas poderão voltar a criar aviões de passageiros mais rápidos que o som. Isso significa cortar o tempo de voos longos pela metade, sem incomodar quem está no chão.

Por enquanto, o projeto é apenas um avião branco de bico longo cortando o céu da Califórnia em silêncio, com engenheiros ouvindo tudo com muita atenção. Se no futuro aquele velho estouro gigante virar apenas um som distante e inofensivo, será graças a esse avião que o nosso mundo vai encolher novamente.

Fonte: NASA | AeroIn

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