As cavernas que podem nos ajudar a encontrar, ou nos tornar, alienígenas

Uma gota cheia de vida caiu no olho de uma cientista da NASA numa caverna e mudou a caça por ETs. Hoje, os melhores lugares para procurar vida fora da Terra ficam embaixo do chão.
Pessoa com lanterna na entrada de uma grande caverna sob a Via Láctea, ilustrando a busca por vida alienígena

A caça por vida alienígena começou com um acidente. Em 1994, dentro de uma caverna no Novo México, uma gota despencou do teto e acertou em cheio o olho de uma cientista da NASA. Mas não era água: era um caldo vivo, lotado de micro-organismos.

Então Penelope Boston saiu de lá com hematomas e com uma ideia que mudaria a busca por ETs. Ou seja, se a vida insiste em prosperar no escuro mais hostil da Terra, talvez a vida alienígena esteja escondida no mesmo tipo de lugar: debaixo do chão.

Pessoa com lanterna na entrada de uma grande caverna sob a Via Láctea, ilustrando a busca por vida alienígena
No escuro das cavernas, a vida resiste, dentro e fora da Terra. (Imagem: Envato)

Por que procurar vida alienígena embaixo da terra

Nas cavernas da Terra, há ecossistemas inteiros onde o sol nunca chega. Pois sem luz, esses seres se alimentam de energia química tirada da própria rocha. Isto é, vida rodando com um manual completamente diferente do nosso.

De fato, a descoberta de que a vida aguenta esses extremos tem nome: extremófilos, os organismos que adoram justamente o que mataria a gente. A caça por vida alienígena passou então a olhar para o subsolo de outros mundos. Por exemplo, numa superfície como a de Marte, uma caverna oferece o que falta lá fora: proteção.

Afinal, a rocha grossa barra a radiação que esteriliza a superfície, segura a temperatura estável e ainda pode guardar água na forma de gelo. Três ingredientes que a vida, como a conhecemos, faz questão.

Os melhores esconderijos do Sistema Solar

Nas últimas décadas, sondas já flagraram centenas de cavernas na Lua e em Marte. Assim, os caçadores procuram por claraboias, buracos na superfície que denunciam um túnel lá embaixo.

Em Marte e em Vênus, vulcões antigos deixaram tubos de lava, túneis ocos por onde a lava escorreu e secou. Um deles, sob Vênus, teria largura suficiente para engolir quarteirões inteiros. É nesses porões que uma possível vida marciana microscópica poderia ter se refugiado.

Mais longe, luas geladas como Europa, de Júpiter, e Encelado, de Saturno, escondem oceanos sob crostas de gelo. Lá, bolsões de água dentro do gelo seriam abrigos perfeitos: protegidos do vácuo e da radiação. O lugar mais inóspito que você imagina seria, nesses mundos, o endereço mais seguro.

Sem marcianos: a vida alienígena que a ciência espera achar

Antes que a imaginação dispare: nada de morcego marciano ou monstro de caverna. Se existe vida em Marte hoje, ela é microscópica, do tamanho de uma bactéria.

Para flagrar algo assim, as agências desenvolvem robôs caçadores de biossinaturas, os rastros químicos sutis que todo ser vivo deixa para trás. Espectrômetros leem as paredes em busca de compostos suspeitos, e testes de fluorescência procuram o brilho único que moléculas orgânicas congeladas emitem.

É caça paciente, feita de pistas mínimas. O alienígena dos filmes dá lugar a uma mancha química numa rocha, e mesmo isso já seria a maior descoberta da história. Saber que a vida surgiu duas vezes, em dois planetas vizinhos, mudaria para sempre o lugar que achamos ocupar no universo.

As cavernas que podem virar a nossa casa

E vem a parte que fecha o círculo: mesmo que a vida alienígena nunca apareça, essas cavernas podem salvar a nossa própria pele lá fora.

Construir uma base na superfície de Marte é quase impossível: radiação constante e meteoritos caindo sem aviso. A solução mais esperta é morar embaixo da terra, dentro de um tubo de lava, usando a montanha inteira como escudo.

O plano é levar habitats infláveis, uma espécie de domo pressão, e montá-los dentro da caverna. A tripulação vive no conforto de uma bolha, enquanto a rocha ao redor segura tudo que o espaço joga contra.

Tem uma ironia bonita nisso. Há milhares de anos, nossos ancestrais se abrigaram em cavernas para sobreviver ao mundo lá fora. Para conquistar outros planetas, talvez o ser humano precise fazer exatamente a mesma coisa, só que a milhões de quilômetros de casa. outros mistérios do espaço e do nosso lugar nele.

Fonte: NASA Astrobiology, Penelope Boston

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