O primeiro “hotel” espacial está quase pronto e tem internet e quarto pra dormir

Uma empresa americana está prestes a colocar em órbita a Haven-1, a primeira estação espacial privada, com Wi-Fi, cama e vista pra Terra. E o lançamento já tem data.
Estação espacial Haven-1, da Vast, em órbita da Terra com a cápsula Dragon acoplada

Imagine fazer as malas pra passar um mês num lugar com Wi-Fi, cama pra dormir e uma janela com a vista mais cara que existe: a Terra inteira girando lá embaixo. Esse hotel no espaço está quase pronto.

E quem está construindo não é a NASA nem nenhum governo. É uma empresa privada, do mesmo jeito que alguém abre um hotel aqui na Terra.

Soa coisa de filme, mas o lançamento já tem data prevista e o primeiro grupo de quatro pessoas já está escalado pra subir. Falta pouco.

Que negócio é esse de hotel no espaço?

Apesar de o nome técnico ser “estação espacial”, a Haven-1 tem toda cara de hotel no espaço: é a primeira construída por uma empresa pra receber hóspedes que pagam pela estadia, igualzinho a qualquer hotel.

Nada de astronauta escolhido a dedo por um governo. Se você puder pagar, você pode ir.

E que conforto: tem cama, internet sempre ligada e uma janelona só pra ficar olhando a Terra.

Quarto individual para dormir a bordo da estação espacial Haven-1
Imagem: reprodução Vast

A empresa por trás é a americana Vast, bancada do bolso de um bilionário das criptomoedas: Jed McCaleb, um dos criadores do XRP, que topou gastar até um bilhão de dólares no projeto.

Por dentro, ela tem o tamanho de uma van bem grande, uns 45 metros cúbicos pra quatro pessoas, e fica a 425 quilômetros de altura, mais ou menos a distância de São Paulo ao Rio, só que pra cima.

Por que construir um hotel lá em cima?

A resposta começa com um problema. A Estação Espacial Internacional, aquela que orbita a Terra desde 2000, está velha e tem data pra se aposentar: por volta de 2030.

Quando ela cair, vai sobrar um buraco: onde fazer pesquisa no espaço? A NASA não quer construir outra do zero. Quer alugar, deixando a obra e a conta com empresas privadas.

E tem dinheiro nisso. Lá em cima, sem gravidade, dá pra fabricar coisas impossíveis aqui embaixo: remédios mais puros, fibras ópticas melhores, cristais perfeitos. Empresas pagam caro por esse laboratório flutuante.

Some a isso os turistas e astronautas particulares dispostos a pagar uma fortuna pra passar uns dias em órbita, e o hotel no espaço deixa de ser sonho e vira negócio.

Por dentro: mais laboratório que hotel

Apesar do apelido de hotel, por dentro a Haven-1 lembra mais um laboratório com cama. Tanto que, sozinha, ela nem consegue manter gente viva por muito tempo.

Pra estadias mais longas, ela depende da cápsula Crew Dragon, da SpaceX, que leva a tripulação e fica acoplada do lado de fora, ajudando no ar e na água. Sem ela grudada, a festa acaba rápido.

E o forte ali é ciência. Empresas do mundo todo já reservaram espaço pra fazer o que funciona melhor sem o peso da gravidade: criar cristais mais perfeitos, testar remédios, cultivar plantas.

Astronauta realiza experimento no laboratório da estação espacial Haven-1
Imagem: reprodução Vast

E tem um teste ousado. Lá em cima os astronautas vivem flutuando, e isso cobra um preço: meses sem gravidade derretem músculo e enfraquecem osso.

Pensando nas viagens longas do futuro, à Lua ou a Marte, a Haven-1 vai tentar girar feito um carrossel pra recriar um pouco de gravidade. Nenhuma estação comercial fez isso antes.

Quando, e quem vai

A previsão é decolar no começo de 2027, no alto de um foguete Falcon 9, da SpaceX. Vai ser a carga mais pesada que esse foguete já levou: umas 14 toneladas, o peso de uns dez carros.

A primeira viagem com gente, batizada de Vast-1, leva quatro astronautas pra passar por até um mês lá em cima. E a volta, claro, é na mesma cápsula que os levou.

E quem são esses primeiros hóspedes? Aí vem a parte honesta: por enquanto, hotel no espaço é coisa de gente muito rica e de empresas, que pagam fortunas pela vaga. É turismo espacial de verdade, só que ainda caro demais pra quase todo mundo.

A nova era em órbita

A Haven-1 é só o começo: feita pra durar uns três anos, ela abre caminho pras estações maiores que vão substituir a velha ISS.

E a sua vez pode chegar. Cada nova estação tende a baratear a seguinte, como voar de avião, que já foi luxo de poucos e hoje cabe no bolso de muita gente.

Talvez não na primeira leva, nem na segunda. Mas, um dia desses, você olha pra cima numa noite limpa e vê um pontinho cruzando o céu. E não é uma estrela, nem a velha estação dos governos: é um hotel no espaço, com gente de cara colada na janela, olhando a Terra. Quem sabe acenando pra você.

Fonte: Vast (anúncio oficial) | BBC Science Focus

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