Em setembro de 1822 quem governava o Brasil era uma austríaca de 25 anos, grávida outra vez. Dom Pedro tinha viajado para São Paulo, então Maria Leopoldina, sua esposa, ficou com o país nas mãos.
Ela assumiu a regência interina em agosto e passou a chefiar o Conselho de Estado, era a primeira vez que uma mulher comandava o governo por aqui.

A reunião que Maria Leopoldina presidiu
O problema era simples: Portugal queria a colônia de volta. Desde 1815 o Brasil tinha status de reino, com governo próprio no Rio, e os portugueses queriam desmanchar isso.
Um decreto mandava as províncias obedecerem direto a Lisboa, passando por cima do Rio. Já outro ordenava que Dom Pedro voltasse para a Europa, deixando o país sem ninguém no comando.
Foi com esses papéis sobre a mesa que ela convocou a sessão extraordinária em 2 de setembro de 1822, então os ministros e ela decidiram que o Brasil não obedeceria mais a Portugal, e ela assinou a ata.
Depois sentou-se e escreveu ao marido. Aliás, a carta ficou famosa por uma frase só: “O pomo está maduro. Colhei-o já, senão apodrece.”
O que Dom Pedro recebeu no dia 7
Cinco dias depois um mensageiro alcançou a comitiva perto do riacho do Ipiranga com um maço de papéis. Ali estavam os decretos das Cortes e as cartas vindas do Rio.
De um lado, Portugal exigia que ele voltasse e virasse um comandante militar sem poder próprio. De outro, Maria Leopoldina, que governava em seu lugar, dizia que a hora era aquela.
Foi ali que ele ergueu a espada e declarou a independência. Ou seja, o gesto que virou quadro aconteceu com a carta dela no bolso.
E se Maria Leopoldina não escrevesse?
Ninguém sabe, e nenhum historiador sério finge que sabe. Porém dá para olhar o que estava sobre a mesa.
Se Dom Pedro obedecesse voltaria a Portugal rebaixado e o Brasil perderia o status de reino. Portanto cada província passaria a responder direto para Lisboa, sem ninguém entre elas e a metrópole.
Assim, sem um centro de poder no Rio a chance de o território rachar em pedaços era real, como aconteceu na América espanhola.
A imperatriz que trouxe cientistas na bagagem
Maria Leopoldina desembarcou no Rio em novembro de 1817, aos 20 anos, e trouxe uma missão científica inteira na bagagem.
Vinham no grupo os naturalistas Johann von Spix e Carl von Martius, além do pintor Thomas Ender. De fato, eles atravessaram o interior e registraram boa parte da nossa fauna e flora.
Inclusive, ela mesma estudava mineralogia e botânica, e reorganizou a antiga Casa de História Natural, que em 1818 virou o Museu Real.
O fim que a escola não conta
Maria Leopoldina morreu em 11 de dezembro de 1826, no Rio, aos 29 anos. Ou seja, governou, decidiu e sumiu dos livros escolares no mesmo movimento.
Portanto, o quadro que todo brasileiro conhece mostra um homem a cavalo erguendo a espada. A mulher que presidiu a decisão cinco dias antes não aparece em pintura nenhuma.
Enfim, neste 7 de setembro, lembre que a independência do Brasil começou numa sala do Rio de Janeiro. E quem estava na cabeceira da mesa era ela.
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Fonte: Arquivo Nacional | Agência Brasil



