Neste agosto, o Sul enfrentou mais um ciclone bomba, com alerta do INMET e vento forte no litoral. E sempre volta a mesma pergunta: por que não existe furacão no Brasil?
A resposta mora no nosso pedaço de oceano, que deixa a tempestade crescer só até certo ponto.

Por que o furacão não nasce no Brasil?
Porque furacão exige duas coisas que o nosso mar quase nunca oferece juntas: água bem quente e vento comportado lá em cima.
Um furacão nasce de oceano na casa dos 27 graus. Só que a água do Atlântico Sul costuma ser mais fria, e os ventos de altitude sopram fortes demais.
É como acender fogueira com alguém soprando de lado: a chama até surge, mas morre antes de crescer.
De fato, a NOAA, agência americana dos furacões, trata o nosso oceano como zona quase livre deles. Por isso, furacão no Brasil é uma raridade de cair o queixo.
O Brasil nunca vai ter um furacão?
Não é impossível, é muito raro. Tanto que já aconteceu uma vez.
Em março de 2004, uma tempestade estranha cresceu na costa e virou o furacão Catarina, primeiro documentado no Atlântico Sul.
Ele bateu no litoral de Santa Catarina com ventos acima de 120 km/h, força de categoria 1.
A formação foi tão inesperada que os meteorologistas só entenderam a cena olhando imagens de satélite. Aliás, houve quem dissesse que o Catarina nem era furacão de verdade.
Hoje ele é reconhecido assim, e virou a prova de que furacão no Brasil existe, ainda que como exceção.
Ciclone bomba não é furacão?
Não, e a diferença é grande. Furacão é criatura dos trópicos, movida a mar quente. Já o ciclone bomba é tempestade de ar frio, que cresce quando a pressão despenca em menos de um dia.
Portanto, aquele vendaval de inverno que varre o Sul é outro fenômeno. O de junho de 2020, por exemplo, atingiu 257 municípios catarinenses e causou mais de R$ 587 milhões de prejuízo no campo.
Se aparecer outro, ele já tem nome
A Marinha do Brasil mantém uma lista de nomes em tupi para batizar as tempestades grandes do nosso mar.
Inclusive, ela já usou dois recentemente: Biguá, em dezembro de 2024, e Caiobá, em março de 2026, uma tempestade que passou a 900 km da costa.
Com os oceanos esquentando, a ciência espera tempestades menos numerosas, porém mais fortes. Ou seja, a porta não está trancada, ela só abre quase nunca.
Enfim, o furacão no Brasil segue sendo o convidado que só apareceu uma vez na festa. Se outro Catarina surgir, você já sabe: ele vai chegar com nome indígena e o país inteiro olhando.
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Fonte: NOAA | Epagri/Ciram | Agência Brasil



