A descoberta da sacarina começou com um químico alemão que foi jantar sem lavar as mãos direito, em 1878. Ele mordeu o pão e sentiu um doce que não vinha da comida.
Nascia ali o primeiro adoçante artificial do mundo. Porém a parte que quase ninguém conta vem depois.

Como foi a descoberta da sacarina?
Constantin Fahlberg voltou à bancada e provou os vidros um por um, até achar o culpado. Era um composto derivado do alcatrão de carvão, então nada apetitoso.
A substância era cerca de 300 vezes mais doce que o açúcar. O relato do jantar, aliás, é do próprio Fahlberg, escrito 25 anos depois da descoberta da sacarina.
O nome que sumiu da descoberta da sacarina
Acontece que o laboratório não era dele, e sim de Ira Remsen, o professor que orientou a pesquisa. O artigo original de fevereiro de 1879 saiu assinado pelos dois nomes.
Cinco anos depois, porém, Fahlberg patenteou o processo de fabricação sozinho, em quatro países, sem avisar o orientador. Montou fábrica, vendeu e enriqueceu.
Remsen protestou em revista científica, mas não adiantou. Anos mais tarde, resumiu o caso para um aluno: “Fahlberg é um vigarista. Me deixaria doente se alguém usasse meu nome na mesma frase que o dele.”
Ele nunca quis o dinheiro, apenas o crédito. Assim, Remsen virou presidente da Johns Hopkins, enquanto Fahlberg ficava com a fortuna.
A sacarina causa câncer?
Não, e esse medo tem data de nascimento e de morte. Afinal, em 1970 pesquisadores americanos associaram a sacarina a tumores de bexiga em ratos.
Por isso os Estados Unidos passaram a exigir rótulo de advertência a partir de 1977. Em 2000, uma reavaliação mostrou que o efeito dependia de um mecanismo próprio da bexiga do rato, ausente em pessoas.
O aviso caiu, e hoje as agências americana e europeia consideram a sacarina segura dentro dos limites diários. Ainda assim, quem tem alguma condição de saúde decide com o médico.
O adoçante brasileiro tem uma segunda história
A descoberta da sacarina virou, aqui, uma dupla. Os adoçantes de mesa mais tradicionais misturam sacarina com ciclamato, pois um mascara o gosto amargo que o outro deixa na boca.
Inclusive, o ciclamato está proibido nos Estados Unidos desde 1970 e segue liberado no Brasil. Ou seja, mesmo composto, dois veredictos.
Enfim, a descoberta da sacarina rendeu uma indústria bilionária, um susto mundial de trinta anos e um professor que morreu sem o crédito. Tudo porque alguém não lavou as mãos antes do jantar.
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Fonte: Science History Institute | ChemistryViews



