Um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, sugeriu uma ligação surpreendente entre autismo e evolução do cérebro humano.
A ideia é simples. As mudanças que fizeram o nosso cérebro único podem ter deixado a espécie inteira mais sujeita ao autismo, sem querer.

O que os cientistas fizeram
Eles compararam mais de um milhão de neurônios, as células que fazem o cérebro funcionar, em seis espécies, do camundongo ao gorila.
A missão: descobrir o que mudou no cérebro humano ao longo da evolução. A resposta apareceu num tipo de neurônio muito comum na parte pensante do cérebro, o córtex.
O que encontraram: o elo entre autismo e evolução
Na evolução existe uma regra: tipos de neurônio muito comuns costumam mudar pouco, porque qualquer alteração neles pode causar problemas graves.
Mas esse neurônio comum foi a exceção no ser humano, pois evoluiu mais rápido aqui do que nas outras espécies.
Junto veio o detalhe que liga autismo e evolução: dezenas de genes ligados ao transtorno passaram a funcionar em ritmo mais baixo nesses neurônios.
E as marcas no DNA indicam que isso foi favorecido pela seleção natural, ou seja, não aconteceu por acaso.
A evolução “causou” o autismo?
Não exatamente. O que a evolução favoreceu foram capacidades como aprendizado e linguagem, e o autismo entrou como consequência não planejada.
Isso porque o cérebro humano amadurece devagar, e é essa demora que dá tempo de aprender a falar e entender o mundo. Os genes de ritmo baixo ajudam a controlar esse relógio.
Hunter Fraser, líder do trabalho, deixa claro: a natureza favoreceu capacidades da mente, nunca o autismo em si.
E especialistas lembram que o transtorno envolve centenas de genes e muitos fatores, então nenhuma explicação sozinha dá conta do espectro.
O autismo é “normal” ou “natural”?
A leitura mais cuidadosa é que o autismo faz parte da história humana, e não de um acidente recente. Esse jeito de ver tem nome: neurodiversidade, os vários modos de o cérebro funcionar.
Contudo, isso não torna o autismo menos real nem dispensa diagnóstico, apoio, acompanhamento profissional e inclusão, que continuam essenciais.
No Brasil, aliás, o assunto ganhou números oficiais. O Censo 2022 perguntou sobre autismo pela primeira vez e encontrou 2,4 milhões de brasileiros com diagnóstico, ou 1,2% da população.
O que isso muda na prática?
Por enquanto, nada no diagnóstico ou tratamento. O estudo é ciência básica: explica por que o autismo é comum na nossa espécie, mas não cria testes nem terapias no curto prazo.
Enfim, autismo e evolução contam a mesma história: o cérebro que você usa agora é poderoso e sensível pelas mesmas razões.
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Fonte: Estudo na Molecular Biology and Evolution | Comunicado de Stanford | Censo 2022 no IBGE



