Você já reparou no furo na tampa da caneta, aquele furinho no topo, e se perguntou pra que serve? Aposto que sim.
E se você acha que é alívio de pressão ou capricho de fábrica, a história por trás dele é bem mais séria.

O furo na tampa da caneta é um dispositivo de segurança
Ele está ali porque criança pequena põe tudo na boca, e a tampinha tem exatamente o tamanho errado. Pequena o bastante para descer, grande o bastante para entalar na garganta.
No caso de um engasgo assim, o furo na tampa da caneta deixa o ar continuar passando. Não desengasga ninguém, mas mantém uma via aberta e compra tempo até o socorro chegar.
E essa regra não nasceu na prancheta de um engenheiro, pois ela veio de uma contagem de mortes.
Nove crianças, e a lei que veio depois delas
Entre 1970 e 1984, nove crianças morreram engasgadas com tampa de caneta no Reino Unido. O país então criou uma norma própria em 1990, obrigando as tampas a deixar o ar passar.
Um levantamento de 2004 mostrou o resultado: depois da norma, nenhuma morte desse tipo foi registrada por lá.
A norma que virou padrão mundial para o furo na tampa da caneta
Em 1993 a regra virou padrão mundial com o nome de ISO 11540, e ela vale para instrumento de escrita que criança de até 14 anos pode usar.
A norma dá duas saídas ao fabricante. Ou a tampa é grande demais para ser engolida, e aí não precisa de furo nenhum, ou ela deixa passar pelo menos 8 litros de ar por minuto.
A própria Bic confirma que suas tampas ventiladas seguem esse padrão, e o furo na tampa da caneta virou item obrigatório de projeto.
E isso atrapalha a caneta em alguma coisa?
Não. O furo na tampa da caneta é pequeno demais para secar a tinta ou fazer a caneta vazar, então ela escreve exatamente igual.
Também não é exclusividade de uma marca, porque a norma vale para todo mundo que vende caneta com tampa pequena. É como o espaço antes do zero na régua, um detalhe que parece decoração e tem função.
Então, da próxima vez que você reparar naquele furinho, lembra que ele é o resumo de uma década de acidentes que ninguém quis repetir.



